Geoestatística

Estatística Espacial

Prof. Wagner Tassinari

Objetivos da Aula

  • Compreender os fundamentos da geoestatística.
  • Analisar a estrutura espacial através de variogramas.
  • Ajustar modelos teóricos de variograma (esférico, exponencial, gaussiano).
  • Aplicar métodos de interpolação espacial (Krigagem Ordinária).
  • Incorporar covariáveis na krigagem.
  • Avaliar a qualidade das estimativas por validação cruzada.

O que é Geoestatística?

A geoestatística lida com dados amostrados em localizações contínuas ou irregulares, onde o atributo de interesse é uma variável contínua (ex: temperatura, poluição, altitude).

O objetivo principal é modelar a dependência espacial entre as observações e utilizar essa informação para prever (interpolar) valores em locais não amostrados.

O Semivariograma

O semivariograma (ou simplesmente variograma) é a ferramenta central da geoestatística. Ele quantifica a dependência espacial medindo a variância da diferença entre valores em pares de pontos separados por uma distância \(h\).

A premissa básica é que pontos mais próximos tendem a ter valores mais semelhantes (menor semivariância) do que pontos mais distantes.

Componentes do Variograma

Um variograma típico apresenta três parâmetros principais:

  • Efeito Pepita (Nugget): A variância em distância zero, representando erro de medição ou variação em microescala.
  • Patamar (Sill): O valor máximo de semivariância, onde a dependência espacial cessa.
  • Alcance (Range): A distância na qual o variograma atinge o patamar; além dessa distância, as amostras são espacialmente independentes.

Modelos Teóricos de Variograma

Para realizar a krigagem, é necessário ajustar um modelo matemático contínuo ao variograma experimental (calculado a partir dos dados).

Os modelos mais comuns incluem:

  • Esférico: Crescimento linear inicial, atingindo o patamar de forma abrupta.
  • Exponencial: Crescimento rápido inicial, aproximando-se assintoticamente do patamar.
  • Gaussiano: Comportamento parabólico na origem, indicando alta continuidade espacial.

Krigagem Ordinária

A Krigagem Ordinária é o método de interpolação geoestatística mais utilizado. Ela estima o valor em um local não amostrado como uma combinação linear ponderada dos valores observados na vizinhança.

Os pesos são determinados de forma a minimizar a variância do erro de predição, garantindo que o estimador seja não enviesado e ótimo (BLUE - Best Linear Unbiased Estimator).

Krigagem com Covariáveis

Quando existem variáveis auxiliares (covariáveis) correlacionadas com a variável principal e disponíveis em toda a área de estudo, elas podem ser incorporadas para melhorar a precisão da interpolação.

Métodos como a Krigagem Universal ou a Krigagem com Deriva Externa (KED) permitem modelar a tendência espacial em função dessas covariáveis, combinando regressão linear com a modelagem do resíduo espacial.

Validação Cruzada

A validação cruzada é uma técnica essencial para avaliar o desempenho do modelo geoestatístico ajustado.

O método Leave-One-Out remove temporariamente uma observação por vez, estima seu valor usando as restantes e compara a estimativa com o valor real. Métricas como o Erro Médio (ME) e a Raiz do Erro Quadrático Médio (RMSE) são utilizadas para quantificar a acurácia.

Aplicação Prática no Curso

  • Interpolação de pluviosidade na Região Metropolitana do Rio de Janeiro:
    • Análise exploratória dos dados pluviométricos.
    • Construção e ajuste do variograma experimental.
    • Aplicação da Krigagem Ordinária para gerar um mapa contínuo de precipitação.
    • Avaliação do modelo por validação cruzada.